O que fazer para gerir a confusão e agitação da demência nos idosos?

O que fazer para gerir a confusão e agitação da demência nos idosos?

As pessoas com demência podem tornar-se agitadas e agressivas à medida que a doença se agrava. Com a agitação a pessoa fica inquieta e preocupada e não consegue acalmar-se. 

A confusão manifesta-se muitas vezes como incapacidade para responder de forma funcional ao que se passa à volta ou mesmo até ao reconhecimento das outras pessoas.

As formas de confusão, agitação e até agressão podem variar consoante o tipo de demência e o grau de gravidade da doença.

Para os cuidadores e familiares, estas situações são sempre difíceis de gerir. Como prestador de cuidados, gerir a inquietação e a agitação de alguém com demência pode ser um desafio, mas existem muitas técnicas e estratégias que se podem utilizar para ajudar a melhorar o conforto e o bem-estar da pessoa idosa.

Neste artigo iremos apresentar algumas estratégias e dicas para gerir a confusão, agitação e agressão para que tanto os cuidadores como os idosos possam ter mais qualidade de vida apesar de viverem com demência.

O que é a inquietação?

A inquietação, que pode incluir a agitação, pode manifestar-se como andar de um lado para o outro e tentar sair de casa, e é comum nas pessoas com demência.  Pode ser perturbador para a pessoa, especialmente se for impedida de se movimentar, e para os cuidadores, que se preocupam com a sua segurança.

Andar de um lado para o outro

Por vezes, a pessoa com demência pode levantar-se e começar a andar de um lado para o outro, o que pode ser frustrante e perturbador tanto para a pessoa como para quem cuida dela.

Para apoiar a pessoa com demência que está a andar de um lado para o outro pode utilizar-se algumas estratégias:

  • Permitir que a pessoa ande, se for seguro fazê-lo
  • Manter a casa em segurança para reduzir o risco de quedas e acidentes
  • Tentar determinar se há alguma necessidade não satisfeita em que se possa ajudar, como por exemplo, a pessoa pode ter-se levantado para ir à casa de banho, mas ter-se esquecido do que estava a fazer

Querer sair de casa

Pode ser uma grande preocupação quando o idoso com demência quer sair de casa. Pode não ser seguro, sobretudo se existirem estas condições:

  • O idoso não estiver ciente dos riscos de sair sozinho
  • Estiver potencialmente muito ansioso e procura conforto e uma sensação de segurança
  • Estiver confuso sobre onde se encontra no tempo, como por exemplo, está reformado, mas ainda pensar que tem de ir trabalhar
  • Estiver a pensar num sítio onde costumava viver

Se tiver “sundowning” e tem uma forte sensação de estar no sítio errado ou de precisar de ir para casa, mesmo que esteja em casa, que normalmente se agrava ao anoitecer.

O “sundowning” ou “síndrome do pôr do sol” ou “comportamento agitado ao anoitecer”. É um termo usado para descrever um estado de confusão, agitação e ansiedade que algumas pessoas com demência podem experimentar no final da tarde e início da noite

O que é a agitação?

No contexto da demência, a agitação descreve comportamentos significativos e muitas vezes angustiantes que indicam inquietação, perturbação emocional ou uma excitação elevada. É um sintoma comum na demência e pode manifestar-se de várias formas, dependendo da pessoa.

As pessoas agitadas podem andar muito, não conseguir dormir ou agir de forma agressiva para com os outros. Podem atacar verbalmente ou tentar bater ou magoar alguém.

Quando estes problemas começam a acontecer ou se agravam ao fim da tarde ou ao início da noite, significa que o idoso pode ter a síndrome do pôr do sol.

Agitação verbal

Gritar, berrar ou usar linguagem agressiva são sinais de agitação. Nas fases mais avançadas da demência, as pessoas podem, por vezes, vocalizar o desconforto, a frustração ou a incapacidade de comunicar as suas necessidades através de gemidos e lamentações.

Ações repetitivas

Uma pessoa que sofra de inquietação ou agitação pode dar por si a repetir ações como bater com as mãos, bater, balançar ou esfregar superfícies. Estas ações podem ser calmantes para a pessoa, mas podem parecer perturbadoras para as pessoas que a rodeiam.

Agressão

A agressão refere-se a comportamentos hostis dirigidos quer para si próprio, quer para fora, contra outros ou objetos. 

Bater, pontapear, arranhar ou morder as pessoas à sua volta é um exemplo de comportamento agressivo numa pessoa com demência, e é frequentemente uma resposta ao facto de se sentir ameaçada, confusa ou sobrecarregada.

Muitas vezes, o pôr do sol faz com que a pessoa com demência sinta que está no sítio errado. Pode dizer que precisa de ir para casa, mesmo que esteja em casa, ou que precisa de ir buscar as crianças à escola, mesmo que estas já sejam adultas.

Outros sintomas podem incluir gritos ou discussões, andar de um lado para o outro ou ficar confuso sobre quem são as pessoas ou o que se está a passar à sua volta.

Porque é que a inquietação e a agitação ocorrem nas pessoas que vivem com demência?

Há vários fatores que podem contribuir para a inquietação e a agitação nas pessoas que vivem com demência. 

As alterações no cérebro podem afetar o humor, o comportamento e a função cognitiva, o que, por sua vez, leva a dificuldades em processar informações, controlar emoções e expressar necessidades.

Os fatores podem ser:

Ambientais

Alterações na iluminação, volume de som e interações sociais à noite.

Psicológicos

Podem manifestar-se como ansiedade, medo ou solidão.

Problemas de saúde

Condições médicas subjacentes que estão a causar dor, desconforto ou outros problemas médicos e dificuldade em comunicar as necessidades, tudo isto pode levar à frustração e à agitação.

Em que fase da demência podem ocorrer inquietação e agitação?

A inquietação e a agitação podem ocorrer em qualquer fase, mas tendem a tornar-se mais pronunciadas à medida que a demência progride. A prevalência destes sintomas pode variar em função de fatores como o tipo de demência e a fase em que a pessoa se encontra.

Quais são as causas da agitação e agressão nos idosos com demência?

Na maioria das vezes, a agitação e a agressão acontecem por alguma razão. Quando acontecem, o ideal é que o cuidador tente encontrar a causa e, tente debater com um profissional de saúde sobre possíveis soluções.

As causas da agitação e da agressividade podem incluir:

  • Dor, depressão ou stress
  • Demasiado cansaço ou sono
  • Prisão de ventre
  • Mudança súbita num local, rotina ou pessoa conhecidos
  • Um sentimento de perda – por exemplo, a pessoa pode sentir falta da liberdade de conduzir
  • Demasiado barulho ou confusão, ou demasiadas pessoas na sala
  • Ser pressionado pelos outros para fazer algo, como por exemplo, tomar banho ou recordar acontecimentos ou pessoas
  • Sentir-se só e não ter contacto suficiente com outras pessoas
  • Certos medicamentos ou interações entre dois medicamentos

Um médico pode fazer um exame para procurar problemas físicos que possam causar agitação e agressividade e, em certos casos, pode prescrever medicamentos para aliviar os sintomas.

Causas comuns de inquietação e agitação

À medida que as capacidades cognitivas se tornam mais afetadas, as pessoas com demência têm frequentemente dificuldade em processar emoções, comunicar as suas necessidades ou compreender o que as rodeia.

Isto pode levar a sentimentos de medo, frustração ou confusão, que se podem manifestar como inquietação ou agitação.

Fatores emocionais

Alguns dos fatores emocionais mais comuns que desencadeiam a inquietação e a agitação são:

  • Ansiedade, stress ou depressão
  • Separação dos entes queridos ou ser deixado sozinho
  • tédio

Fatores ambientais

As causas de inquietação numa pessoa com demência relacionadas com o seu ambiente podem incluir:

  • Necessidade de esticar as pernas porque passa muito tempo dentro de casa, sentado, o que pode causar frustração, especialmente se a pessoa estiver habituada a ser ativa
  • Estar demasiado quente ou demasiado frio
  • O ambiente desconhecido e a confusão temporal provocada por mudanças no ambiente, como a reorganização da mobília, podem causar medo e desorientação
  • Não saber que horas são ou quem são as pessoas que o rodeiam também pode causar angústia
  • Os cheiros e sons podem causar angústia, por exemplo, o ruído de obras na estrada ou um cheiro forte a comida

Causas possíveis da agitação

A ansiedade e a agitação podem ser causadas por uma série de condições médicas diferentes, interações medicamentosas ou por quaisquer circunstâncias que piorem a capacidade de pensar da pessoa.

Em última análise, a pessoa com demência está a sofrer, biologicamente, uma perda profunda da sua capacidade de negociar novas informações e estímulos. É um resultado direto da doença.

As situações que podem levar à agitação incluem:

  • Mudança para uma nova residência ou lar de idosos
  • Mudanças no ambiente, como viagens, hospitalização ou presença de visitas
  • Mudanças na organização dos cuidadores.
  • Ameaças mal interpretadas.
  • Medo e fadiga resultantes da tentativa de dar sentido a um mundo confuso

Como se pode gerir a confusão e agitação nos idosos com demência?

Para os familiares e cuidadores é fundamental que se sintam capazes para lidar com episódios de agitação.

Apresentamos de seguida algumas estratégias para acalmar um idoso que está inquieto ou agitado:

  • Oferecer uma bebida e algo para comer
  • Perguntar se o idoso precisa de ir à casa de banho, ou procure sinais não verbais, como segurar a barriga ou as virilhas e oferecer apoio se for necessário
  • Certificar que o idoso toma a medicação que lhe foi receitada
  • Se parecer estar com dores, ansioso ou deprimido, marcar uma consulta com o médico
  • Tentar envolvê-lo em atividades que lhe proporcionem prazer e um sentido de objetivo, como caminhar, jardinagem, trabalhos manuais ou puzzles
  • Ajudar a mudar de ambiente, mesmo que seja apenas para outra divisão ou para o jardim
  • Se estiver num ambiente desconhecido, tentar regressar a um local onde o idoso se sinta confortável. Se isso não for possível, ver se pode ir para um espaço calmo e tranquilo
  • Sentar perto, segurar a mão ou tocar o braço pode tranquilizar o idoso. Uma massagem suave nas mãos também pode ser tranquilizadora
  • Pôr música, ler em voz alta, ver um filme ou fotografias
  • Dar ao idoso algo reconfortante para segurar, como um brinquedo ou um cobertor macio

Quais são as melhores estratégias para lidar com a agitação ou agressividade?

Estas são algumas formas de ajudar a minimizar e a lidar com a agitação ou a agressividade:

Ter paciência

Ser paciente e tentar não mostrar frustração. Falar calmamente. Ouvir as preocupações do idoso e evitar discutir.

Assegurar que o idoso está seguro e que o cuidador está lá para a ajudar. Utilizar outros métodos de comunicação para além da fala, como o toque suave, para ajudar a pessoa a acalmar-se.

O cuidador pode ajudar o idoso a respirar para acalmar e também respirar fundo e contar até 10 se ficar perturbado.

Criar um ambiente doméstico reconfortante

Tentar manter uma rotina, como tomar banho, vestir e comer às mesmas horas todos os dias.

Reduzir o ruído e a desarrumação. Pôr música suave a tocar e manter objetos e fotografias favoritos por perto.

Deixar entrar a luz natural durante o dia. O cuidador deve tentar acalmar-se e relaxar se achar que as suas próprias preocupações podem estar a causar perturbação.

Concentrar a atenção num objeto ou atividade

Distrair a pessoa idosa com um lanche, uma bebida ou uma atividade. Podem ver um programa de televisão favorito, ouvir música, dar um passeio, ler um livro ou fazer uma tarefa doméstica, como dobrar a roupa, em conjunto.

Proteger-se a si próprio e aos outros

Esconder ou guardar as chaves do carro e objetos que possam ser utilizados de forma prejudicial, como armas e facas de cozinha.

Se o idoso se tornar agressivo, manter uma distância segura até o comportamento parar. Falar com um médico se os comportamentos agressivos se agravarem e considerar a possibilidade de tomar medicamentos que possam ajudar. Em caso de emergência, ligue para o 112 e explicar que a pessoa de quem cuida sofre de demência.

Evitar a confusão ao fim do dia

Quando a inquietação, a agitação, a irritabilidade e a confusão ocorrem à medida que a luz do dia começa a desvanecer-se, pode surgir a síndrome do pôr do sol. O cansaço excessivo pode aumentar a inquietação ao fim da tarde e ao início da noite.

Estas estratégias podem ajudar nesta situação:

  • Cumprir um horário
  • Combinar uma hora para sair e apanhar ar ou sentar junto a uma janela para apanhar sol todos os dias
  • Tentar que o idoso seja fisicamente ativo todos os dias, mas não planear demasiadas atividades
  • Evitar bebidas alcoólicas e bebidas com cafeína, como café ou Coca-Cola, ao fim do dia
  • Evitar sestas longas ou curtas ao fim do dia

Manter a calma

A agitação e a agressividade são contagiosas. Quando está a falar com alguém que está perturbado, é natural que se sinta perturbado.

Quando pára e respira fundo para se acalmar, está a demonstrar calma. Isto ajuda a fazer com que a pessoa de quem cuida se sinta segura e tranquila.

Dê um passo atrás e veja se consegue identificar uma causa para a agitação, por exemplo, um ambiente tenso na sala. Lembre-se de que a pessoa de quem cuida não está a tentar fazer-lhe passar um mau bocado, está a lutar contra a sua circunstância e estado.

Abrandar o ritmo

Parar o que estiver a fazer e abrandar pode ajudar. Ouvir o que a pessoa de quem cuida está a dizer, mesmo que não faça sentido.

Não corrigir, pois isso só aumenta o conflito. Respirar fundo e sorrir gentilmente e tentar pedir permissão para o que precisa de fazer ou oferecer ajuda.

Uma pessoa com demência pode ficar sobrecarregada por excesso de estimulação ou frustração. Em vez de se precipitar com mais ideias ou palavras, fazer uma pausa, pode ser a melhor opção. O silêncio dá ao idoso tempo para pensar e perceber o que está a tentar dizer.

Concentrar nos sentimentos e não nos factos

A demência pode afetar a capacidade de raciocínio e de expressão de uma pessoa, mas os sentimentos continuam a ser fortes.

O cuidador deve responder aos sentimentos do idoso e não às suas palavras. Tentar argumentar e discutir com uma pessoa com demência só vai frustrar a ambos. Ouvir a expressão de frustração, mesmo que as palavras não façam sentido.

Mostrar respeito e validação

Tratar sempre o idoso com respeito. Estes sentimentos podem ajudar a promover uma comunicação eficaz com alguém com demência.

Mais importante ainda, continuar a interagir com o idoso com dignidade. Embora o cuidador possa ver comportamentos que o fazem lembrar uma criança, o idoso não é uma criança. Proteger a sua dignidade evitará sentimentos feridos que levam à agitação.

A realidade do idoso com demência pode não estar de acordo com a realidade que o cuidador vê. Mas os sentimentos que está a experimentar são reais. Utilizar a validação desses sentimentos pode melhorar a comunicação.

O cuidador pode concordar com a perceção que o idoso tem da realidade sem mentir, através de perguntas delicadas sobre o que a pessoa idosa está a dizer.

Por exemplo, quando o idoso diz que está um homem estranho na cozinha, pode validar o sentimento por detrás disso e fazer perguntas, mesmo que esse homem estranho seja na realidade um familiar próximo.

Exemplos de uma pergunta, pode ser:

“Isso deve ser assustador! Quer que eu vá ver porque é que ele está lá?”

Limitar as distrações

A demência causa danos no cérebro, o que dificulta a expressão de pensamentos e a realização de tarefas. O cérebro pode ser muito estimulado por ruídos de fundo, desarrumação, multidões ou luzes. Este excesso de estimulação pode provocar sentimentos de inquietação.

Criar um ambiente de calma em casa sempre que possível, preferir reuniões familiares mais pequenas em vez de multidões e desligar a televisão quando se estiver a falar com o idoso, porque o seu ruído pode ser difícil de bloquear, são boas estratégias.

Limitar as distrações para si próprio também o ajudará enquanto prestador de cuidados. Quando está distraído, pode estar a perder sinais precoces de frustração no idoso.

Simplificar

Procurar sempre simplificar o ambiente em redor quando surgirem sinais de agitação. Um ambiente calmo geralmente ajuda a acalmar o idoso.

Reduzir a quantidade de objetos não essenciais é uma excelente forma de aumentar a sensação de calma em casa. Os padrões brilhantes e distrativos e os objetos em movimento podem ser excessivos.

A desarrumação faz com que os sentidos da pessoa de quem cuida sintam em excesso. Se o idoso estiver constantemente a filtrar o que é importante e necessário, o cérebro não consegue relaxar e não saberá em que se concentrar.

Ajude a acalmar, limitando as coisas que o rodeiam. A desarrumação também faz com que seja mais fácil perder objetos importantes ou não ver algo necessário mais facilmente.

As luzes são outra presença estimulante. Sobretudo à noite e ao fim da tarde. É importante trocar as luzes brilhantes do teto por luzes mais pequenas e mais fracas quando o sol se põe.

O brilho e os reflexos das luzes nas janelas, espelhos ou molduras de quadros podem ser surpreendentes ou mesmo assustadores para o idoso.

Controlar o desconforto

O idoso pode ter dificuldade em dizer que está desconfortável. A agitação, a inquietação, a dificuldade em sentar-se no mesmo sítio ou a irritação podem ser sinais de desconforto físico.

Certificar-se de que o idoso está fisicamente confortável reduzirá drasticamente a agressividade e a agitação.

Esta é uma lista de verificação útil para ajudar a descobrir o que pode estar a causar desconforto e agitação:

Comida

O idoso tem fome? Quando é que comeu pela última vez? Tente oferecer um pequeno e nutritivo lanche. Melhor ainda, comerem o lanche juntos.

Infeção ou doença

Existe uma infeção? As infeções do trato urinário nos idosos podem frequentemente desenvolver ou agravar os sintomas de confusão e agitação.

Desidratação

Tem sede? O que é que o idoso bebeu nas últimas 24 horas? A desidratação é comum nas pessoas idosas devido à diminuição da sensação de sede.

Os olhos, a boca e a pele secos são sintomas a ter em conta, juntamente com a confusão e o esquecimento.

Preparar uma chávena de chá sem cafeína, quente ou fria, oferecer uma fatia de melancia e adicionar alimentos ricos em água às refeições diárias. Lembrar gentilmente de beber água ao longo do dia.

Funcionamento intestinal

Quando foi a última vez que o idoso teve um movimento intestinal? Se foi há mais de 24 horas, esse é um desconforto importante a resolver.

Roupa e vestir

O que é que o idoso está a vestir? Verifique se tem comichão na cintura, se as meias estão dobradas na ponta dos pés, se o colarinho está demasiado apertado ou se o tecido faz comichão. Todas estas pequenas irritações podem causar agitação.

Orientar para outra atividade

Prestar atenção à situação ou atividade imediata. Reparar se a atividade parece estar a provocar agitação no idoso. Se for esse o caso, mudar para uma atividade mais tranquila e relaxante.

Dizer sim

Tentar dizer sim tanto quanto possível. Se o idoso menciona que viu alguém que faleceu há anos, concorde que seria ótimo voltar a falar com essa pessoa.

Dizer sim faz com que o idoso saiba que compreende o que é importante para ele e que está a ouvir.

Mesmo que a realidade que a pessoa de quem cuida esteja a viver seja diferente, podem encontrar pontos em comum.

Perceber a doença

Descubra o que pode estar a causar a agitação e tente compreender.

Ser alvo de uma súbita explosão de raiva por parte de um idoso é desolador e assustador. 

Mas a demência afeta todo o cérebro e não apenas a memória de curto prazo

O idoso que vive com demência não consegue controlar a intensidade dos seus sentimentos, quer estejam assustados, confusos ou subitamente furiosos.

À medida que a demência progride, o mundo é maioritariamente vivido através dos sentidos. Cuidador e idoso podem ouvir música juntos, dar um passeio, tocar um instrumento, fazer uma massagem ou escovar o cabelo do idoso.

A demência pode causar alterações de personalidade, mas isso não significa que não possam continuar a relacionar-se.

Escutar a frustração

Tranquilizar o idoso usando frases calmantes e deixa a pessoa idosa saber que está presente.

Autocontrolo

O cuidador não deve levantar a voz e não demonstrar alarme ou ofensa, não deve também encurralar, reprimir, criticar, ignorar ou discutir com o idoso. Ter ainda cuidado para não fazer movimentos bruscos fora do campo de visão do idoso.

Consultar o médico

Consultar o médico da pessoa com demência para excluir quaisquer causas físicas ou efeitos secundários relacionados com a medicação.

Partilhar a experiência com outras pessoas

Juntar-se a uma comunidade de apoio online e quadros de mensagens, para partilhar as estratégias de resposta que funcionaram e obter mais ideias de outros prestadores de cuidados.

Conclusão

Muitas pessoas com demência podem passar por períodos de inquietação ou agitação.

No entanto, além das opções de tratamento para a inquietação e agitação que possam existir de acordo com os conselhos de médico, existem também algumas estratégias que podem ajudar os cuidadores a apoiar um idoso com demência.

Pode ser difícil saber como reagir quando um idoso se está a comportar de forma agressiva. O cuidador pode tentar parar um momento para pensar nas necessidades da pessoa idosa e na razão pela qual pode estar a comportar-se dessa forma. É muito provável que não o faça de propósito.

À medida que a demência progride, a pessoa tem mais dificuldade em compreender a lógica e a persuasão, pelo que tentar argumentar ou discutir não ajudará a situação. Pode causar frustração e angústia a todos os envolvidos.

É muito importante procurar apoio se a pessoa de quem se cuida estiver a agir de forma agressiva e manter-se seguro, em algumas circunstâncias poderá ser necessário chamar a polícia se houver risco imediato.

Tentar não culpar ou castigar a pessoa pelo seu comportamento. O idoso pode ter-se esquecido do que aconteceu e pode ficar confuso e angustiado se for tratado como se tivesse feito algo de errado.

Os cuidadores devem concentrar-se na pessoa e não no comportamento. A pessoa pode continuar a sentir-se perturbada e angustiada depois de o comportamento ter passado, mesmo que se tenha esquecido do que aconteceu ou do que estava a responder.

Saber encontrar e manter a tranquilidade é essencial para os cuidadores e para os idosos que sofrem com a confusão e agitação provocadas pela demência.

(FAQ) Perguntas Frequentes

Para lidar com a agitação em idosos com demência tem que se saber o tipo de demência?

Sim. É aconselhável falar com o médico para perceber qual é o tipo de demência que o idoso tem, dado que o grau de intensidade e a frequência de episódios de agitação, pode variar consoante o tipo e a gravidade da doença.

Juntos Cuidamos Melhor!

Referências:

  • National Institute On Aging
  • Alzheimer Association