Dicas para ser o melhor cuidador possível

Dicas para ser o melhor cuidador possível

Ser cuidador ou tornar-se num cuidador muitas vezes vem acompanhado de uma mistura de emoções, desafios e acontecimentos inesperados.

A forma como cada um lida com estes aspetos irá variar muito consoante a personalidade, circunstâncias, sistemas de apoio e experiências passadas de cada cuidador.

O cuidador pode já ter tido alguma experiência de prestações de cuidados no passado a nível pessoal ou profissional ou ser totalmente novo na área.

Mas, quer seja um cuidador experiente ou recém-chegado, cada situação de cuidados é única e deve ser avaliada individualmente, pois o que funcionou numa situação pode não funcionar noutra. 

Qualquer incursão na área dos cuidados deve ter por trás a criação de uma estratégia de cuidados para ser bem-sucedida.

Muitas pessoas conhecem pelo menos uma pessoa idosa com uma doença grave ou um problema de saúde crónico, o que é o reflexo do facto de que os idosos têm geralmente doenças crónicas e precisam da ajuda de um cuidador, familiar ou amigo.

Para quem está a cuidar de um idoso, pode questionar-se se há algo que poderia estar a fazer melhor. Provavelmente estará a fazer mais do que deveria. No entanto, algumas pessoas questionam-se se estão a fazer o melhor que podem.

Neste sentido, e como forma de orientação, existem algumas estratégias e dicas que podem ser úteis para que o cuidador seja o melhor possível.

Dicas para ser o melhor cuidador possível

O cuidador tem sempre muitas coisas para conciliar e tarefas para completar, por isso faz sentido criar um plano ou uma estratégia de cuidados.

Criar uma estratégia de cuidados bem-sucedida é essencialmente construir um plano ou uma lista que ajude a identificar os desafios e as várias soluções para os mesmos.

Esta estratégia deverá ter alguns componentes essenciais que deverão seguir a um exercício de definição de objetivos e inclui tomar consciência da situação presente, descrever quais são os objetivos a alcançar, identificar rotas diretas e alternativas para lá chegar e implementar estratégias para lidar com desafios inesperados.

Ninguém pode prever todos os desafios, mas manter-se mentalmente preparado permite agir com calma e eficácia. Ser adaptável também significa fazer pequenos ajustes todos os dias.

Estas são algumas dicas e estratégias:

Construir a confiança

Ajudar a pessoa de quem se está a cuidar a fortalecer a confiança de que ela pode superar o tratamento ou a dificuldade que enfrenta.

Apoiar e ajudar a pessoa a acreditar que se beneficiará ao se submeter ao tratamento, aos cuidados ou à reabilitação, por mais difícil que seja às vezes.

Começar com pequenos passos

Por exemplo, incentivar o idoso a beber alguns goles de água ou sopa para obter os líquidos necessários, mesmo que a náusea ou a falta de apetite tornem isso difícil.

Se o idoso tiver sofrido um derrame ou tiver outro problema de mobilidade, ajudar a dar alguns passos, com o objetivo final de chegar à casa de banho, por exemplo.

Dar incentivos repetidamente

Dizer que a pessoa idosa pode comer um pouco de sopa ou dar uma caminhada curta até a casa de banho e continuar reforçando a ideia. O incentivo deve ser realista e repetitivo.

Lembrar os sucessos

Mesmo quando o idoso sentir que é impossível comer sopa ou dar alguns passos hoje, lembrar gentilmente que conseguiu no passado e pode conseguir novamente no presente e no futuro.

Usar a compaixão

Quando a pessoa cuidada está a fazer quimioterapia ou outro tratamento difícil, às vezes a melhor maneira de ajudar é simplesmente sentar e conversar durante o tratamento; isso pode ajudar a distrair a mente do processo.

Levar para tomar um batido quando for esse tipo de alimento que o idoso consegue comer ou ajudar também a controlar o medo de cair, apoiando quando o idoso se levantar da cadeira de rodas.

Praticar a paciência e a compaixão é essencial. Os idosos podem ter limitações que podem ser frustrantes, mas a paciência e a compaixão são fundamentais. Tratar o idoso com gentileza e dignidade é fundamental para o bem-estar do idoso e do cuidador.

Evitar gestos inúteis

Tentar não oferecer ajuda de forma vaga, com expressões como “se precisar, diga”. Quando alguém está doente ou fragilizado, é improvável que peça ajuda. Tomar a iniciativa de oferecer ajuda concreta.

Não hesitar em agir

O cuidador não deve ter medo de simplesmente fazer ou dizer algo, desde que seja relevante para os cuidados. Mostrar que se importa de todas as formas possíveis é importante. O apoio social é fundamental para construir a confiança e ajudar o idoso a passar pelo tratamento ou lidar com uma doença contínua.

Oferecer encorajamento

Pensar em coisas que podem ter ajudado a superar situações difíceis no passado e compartilhá-las.

Pode ser algo tão simples quanto compartilhar uma citação favorita de um livro que ajudou a colocar as coisas em perspetiva ou deu esperança em momentos difíceis.

Essas palavras de encorajamento podem ajudar a pessoa de quem se cuida a lidar com seus próprios desafios. Também se pode compartilhar as experiências sobre coisas que ajudaram a ser resiliente e a se recuperar durante momentos difíceis.

Verificar como o idoso está frequentemente

Verificar repetidamente como o idoso está. Perceber as suas circunstâncias e os possíveis tratamentos ou cuidados específicos de que precisa e como estão a decorrer.

Por exemplo, no tratamento do cancro, o dia do tratamento pode não ser tão difícil quanto os dias seguintes, quando os sintomas realmente aparecem. Acompanhar o cronograma de tratamento e ir verificando como o idoso está nesses momentos e nos posteriores.

Praticar o autocuidado

Quando uma pessoa se torna um cuidador ou cuidadora, o primeiro e mais importante passo é cuidar de si mesma. Não é possível dar apoio a outra pessoa se o cuidador não estiver bem.

Estabelecer limites, se necessário, e certificar-se de fazer as coisas que mantêm o cuidador feliz e saudável.

Priorizar o autocuidado é colocar a própria saúde física e mental em lugar de destaque. Alimentar-se bem, fazer exercício físico regularmente e descansar o suficiente são essenciais para prestar bons cuidados. Além disso, também não se deve negligenciar a vida social e os interesses pessoais.

Fazer perguntas sobre procedimentos mais desconfortáveis

O cuidador pode ter de prestar cuidados práticos com os quais não se sente confortável, como dar uma injeção ou cuidar de uma ferida. Mas não deve ter medo de fazer perguntas aos profissionais de saúde, mesmo que já tenha recebido instruções sobre o procedimento.

O cuidador deve garantir que se sente confortável e confiante para que este tipo de cuidados não lhe cause ansiedade ou stress.

Nestas situações talvez seja útil reservar um tempo para aprender sobre as necessidades e condições específicas do idoso. Compreender o seu histórico médico, medicamentos e possíveis complicações permitirá oferecer cuidados mais personalizados.

Definir expetativas realistas

Cuidar de alguém pode ser exaustivo, por isso é importante estabelecer limites e gerir as expetativas. Esforçar para oferecer os melhores cuidados possíveis dentro das capacidades pessoais, sem buscar a perfeição.

Procurar apoio e ajuda

O cuidador não precisa de arcar sozinho com todo o fardo dos cuidados. Considerar as opções disponíveis através de outros mecanismos, apoios, colegas ou serviços. Construir uma rede de apoio pode proporcionar um alívio muito necessário em algumas situações.

Procurar apoio emocional

 Juntar-se a um grupo de apoio a cuidadores ou conversar com um terapeuta, se possível, para obter apoio emocional. Partilhar as experiências e desafios como cuidador com outras pessoas pode ser extremamente útil, tanto para o próprio cuidador como para os outros.

Comunicar de forma eficaz

Manter uma comunicação aberta e honesta com o idoso. Incentivá-lo a expressar os seus sentimentos e preferências e ouvir ativamente as suas preocupações. Isso ajuda a fortalecer o relacionamento entre cuidador e idoso e garante que as necessidades sejam atendidas.

Fazer pausas planeadas longas e breves

Fazer uma pausa ocasional e breve ou pausas mais alongadas é muito importante. Estas pausas valiosas permitem recarregar as energias e voltar aos cuidados com energia e paciência renovadas.

Acompanhar a evolução dos cuidados

Manter a atualização sobre os desenvolvimentos em cuidados a idosos, tratamentos médicos e técnicas de cuidados é muito útil. Estar informado permite tomar melhores decisões sobre os cuidados a prestar.

Manter a organização do trabalho

Manter um horário de cuidados e organizar todas as informações e documentos necessários. Estar bem preparado reduz o stress, garantindo que o cuidador está pronto para várias situações de cuidados.

Qualidades pessoais importantes de um bom cuidador

Compaixão e empatia são qualidades fundamentais de um bom cuidador, mas não são as únicas.

O cuidador deve preocupar-se genuinamente com o bem-estar do idoso e estar atento às suas emoções. Mas, a paciência, por exemplo, é outra característica vital.

Muitas pessoas que recebem os cuidados podem mover-se lentamente, repetir-se ou resistir à ajuda. É importante manter a calma e dar-lhes tempo para completar as tarefas ao seu próprio ritmo.

Apressá-los ou pressioná-los pode prejudicar a confiança, causar frustração e aumentar o stress tanto para o cuidador como para o idoso.

Uma boa comunicação é uma qualidade essencial de um bom cuidador. É necessário ser capaz de comunicar abertamente com o destinatário dos cuidados, a sua família e os profissionais de saúde.

Uma comunicação eficaz garante que todos estão em sintonia e ajuda a prestar os melhores cuidados possíveis.

A confiabilidade é imprescindível para qualquer cuidador. A pessoa que recebe os cuidados e a sua família precisam confiar que o cuidador chegará a horas e cumprirá os seus compromissos.

A inconsistência pode adicionar stress desnecessário a uma situação já desafiante, tornando-a mais difícil para todos os envolvidos.

Ser atento aos pormenores é uma qualidade vital para garantir a segurança e a qualidade dos cuidados. 

Manter o controlo dos medicamentos, reparar em pequenas alterações de saúde e lembrar-se das rotinas diárias e preferências contribuem para uma melhor experiência de prestação de cuidados.

Estabelecer limites é crucial para evitar o esgotamento. Recusar tarefas adicionais quando necessário é uma forma de garantir que o cuidador possa continuar a cuidar do idoso sem sacrificar a sua própria saúde e paz de espírito.

Por fim, cuidar significa melhorar a qualidade de vida do idoso. Compaixão, paciência, confiabilidade, resiliência emocional e comunicação clara são qualidades de um bom cuidador que causam um impacto significativo na prestação de cuidados.

Principais qualidades físicas de um bom cuidador

O cuidador deve ter resistência física, pois longas jornadas e tarefas exigentes fazem parte do trabalho. Movimentar idosos, auxiliar na mobilidade e ficar em pé por longos períodos requer força e resistência.

Sem a resistência adequada, o cansaço ou lesões podem surgir rapidamente, dificultando o fornecimento dos cuidados de que o idoso precisa. Essa é uma das qualidades essenciais de um bom cuidador, pois garante que consegue lidar com as exigências físicas da função de forma eficaz.

Ter atenção ao detalhe vai ajudar na responsabilidade por controlar os medicamentos, as consultas e observar quaisquer alterações físicas na saúde.

Mesmo algo aparentemente menor, como uma nova contusão ou uma ligeira alteração de humor, pode ser um indicador de um problema de saúde grave.

Observar esses pequenos detalhes garante que se está a prestar os melhores cuidados possíveis e pode ajudar a prevenir complicações maiores no futuro.

Além disso, levantar e transferir um idoso pode causar lesões se for feito incorretamente. É importante usar técnicas e equipamentos adequados para minimizar o risco de danos tanto para o cuidador como para a pessoa que está a ser cuidada.

Ao estar atento a essas capacidades físicas, pode-se prestar cuidados de alta qualidade e seguros, ao mesmo tempo que se protege o próprio bem-estar.

Aprender técnicas seguras de levantamento e mobilidade pode prevenir esforços excessivos tanto para o cuidador como para o idoso. Equipamentos de apoio, como cintos de segurança ou pranchas de transferência, podem melhorar a segurança.

Desenvolver a adaptabilidade

Cuidar de alguém é imprevisível, e compreender as qualidades de um bom cuidador pode ajudar a enfrentar esses desafios.

Um dia, tudo pode correr conforme o planeado, e no dia seguinte, o idoso pode precisar de cuidados médicos ou recusar-se a comer. Ser flexível é crucial, pois permite lidar com essas mudanças sem ficar sobrecarregado.

As condições de saúde podem mudar rapidamente e, como cuidador, precisa de estar atento. Por exemplo, alguém com demência precoce pode inicialmente precisar apenas de lembretes para tomar a medicação, mas mais tarde pode precisar de ajuda para se vestir ou comer.

Ao reconhecer os sinais de mudança precocemente, pode garantir uma transição mais suave e prestar melhores cuidados.

As recomendações médicas também podem trazer novos tratamentos ou horários. Se um médico prescrever uma nova terapia, o cuidador terá de aprender como ela funciona e incorporá-la à rotina diária de cuidados.

Uma abordagem flexível torna essas transições muito mais fáceis de lidar, garantindo que se possa prestar cuidados consistentes enquanto se adapta às novas necessidades.

Conclusão

Cuidar de um idoso é uma responsabilidade profunda e significativa, mas também pode trazer desafios emocionais e físicos. Ao longo do tempo poderá ser necessário adotar novas maneiras de ajudar a reduzir o stress e melhorar as abordagens de cuidados.

Ao incorporar algumas estratégias à rotina de cuidados, o cuidador pode reduzir o stress e melhorar a sua capacidade de prestar cuidados eficazes e compassivos ao idoso.

Os cuidadores fazem uma diferença significativa na qualidade de vida dos idosos, e cuidarem de si mesmos é vital para uma boa prestação de cuidados.

Cuidar de um idoso vai além de apenas ajudar nas tarefas diárias, requer paciência, compaixão e confiança. Para ser um bom cuidador, é importante reconhecer as principais características que fazem a diferença.

Seja um cuidador formal ou informal, compreender as qualidades de um bom cuidador pode ajudar a garantir um melhor atendimento ao idoso e uma melhor prestação de cuidados.

Essas qualidades são essenciais para oferecer o melhor apoio e criar uma experiência positiva tanto para o cuidador quanto para a pessoa que recebe os cuidados.

Juntos Cuidamos Melhor!

Referências:

  • Health in Aging
  • Caregiver.org