Os cuidadores fazem sempre muito pelos outros. Como têm geralmente muitas tarefas para fazer, muitos cuidadores não dedicam tempo a cuidar de si mesmos.
Por exemplo, eles são menos propensos do que outras pessoas a procurar serviços de saúde preventivos, como check-ups anuais, e a praticar cuidados pessoais regulares.
Como resultado, tendem a ter um risco maior de problemas de saúde física e mental, problemas de sono e doenças crónicas, como hipertensão arterial.
Um cuidador é uma pessoa que ajuda outra pessoa necessitada. Uma pessoa necessitada pode ser qualquer pessoa, como um idoso, por exemplo, que apresente problemas de saúde ou de limitação de mobilidade.
Os cuidadores têm, geralmente, níveis mais elevados de stress do que as pessoas que não são cuidadoras. É importante que os cuidadores saibam que também precisam de ajuda e apoio.
Neste sentido, cuidar de alguém tem tanto de gratificante quanto de estressante. Cuidar pode trazer muitas recompensas, mas as exigências do cuidado também causam estresse emocional e físico. É comum sentir raiva, frustração, cansaço ou tristeza. E é comum os cuidadores sentirem-se sozinhos.
Embora seja importante que os cuidadores não se esqueçam do autocuidado, podem sentir que a pressão do tempo e tudo o que têm para fazer não lhes permite ter esse cuidado.
Mas, com apenas algumas intervenções rápidas, podem encontrar algum alívio.
Sendo que o estresse do cuidador pode colocá-lo em risco de alterações na sua própria saúde, deixamos dez dicas que podem ser muito úteis para os cuidadores.
Quais os sinais a que os cuidadores precisam de prestar atenção?
Os cuidadores muitas vezes continuam a dar mais quando se trata das pessoas que cuidam.
Seja um cuidador informal, seja um cuidador formal, o cuidado e a atenção estão sempre presentes, em conjunto com muitas outras tarefas que também têm que ser feitas, não só na prestação de cuidados como também na vida pessoal.
Os cuidadores compassivos que cuidam dos outros mostram uma paciência muito grande e uma disposição para ir além, mas muitas vezes, no final do dia, não estão dispostos a estender a si mesmos a mesma graciosidade que tão prontamente estendem aos outros.
Passam o dia todo a apoiar pacientemente os outros, mas repreendem-se por se sentirem cansados ou irritados. Ou dedicam horas a garantir que as pessoas de quem cuidam comam refeições saudáveis e façam exercício, mas depois não cuidam de si mesmos.
Ou ainda equilibram horas de trabalho e ainda mais horas de cuidados, sem nunca reservar um momento para cuidar de si próprios.
Estender a autocompaixão é o ato de cuidar de si mesmo como trata os outros, e é importante para que possa ser o melhor cuidador possível.
As pessoas que demonstram autoconsciência ao mostrar compaixão por si mesmas geralmente têm melhor saúde mental, emocional e física.
Elas também estão muito mais preparadas para apoiar os outros e muito mais capazes de mostrar empatia e compaixão por aqueles que estão ao seu redor.
Demonstrar autocompaixão pode ser difícil, especialmente para alguém que está tão acostumado a dar aos outros. Nem sempre é óbvio quando uma pessoa precisa de ajuda.
Estes são alguns sinais de stress do cuidador:
- Sentir-se exausto, sobrecarregado ou ansioso
- Ficar facilmente irritado ou impaciente
- Sentir-se solitário ou desconectado dos outros
- Ter dificuldade em dormir ou não dormir o suficiente
- Sentir-se triste ou sem esperança, ou perder o interesse em atividades que costumava gostar
- Ter dores de cabeça frequentes, dores ou outros problemas físicos
- Não ter tempo suficiente para fazer exercício ou preparar alimentos saudáveis para si mesmo
- Deixar de tomar banho ou realizar outras tarefas de higiene pessoal, como escovar os dentes
- Abusar de álcool ou drogas, incluindo medicamentos prescritos
O cuidador não deve esperar até ficar completamente sobrecarregado. Deve, sim, aprender quais são os sinais de alerta pessoais e tomar medidas para minimizar as fontes de estresse sempre que possível.
10 dicas para o cuidador cuidar de si
As exigências emocionais e físicas dos cuidados podem desgastar até mesmo a pessoa mais forte.
Existem muitos recursos e ferramentas que podem ajudar o cuidador a cuidar de outras pessoas e de si mesmo. Lembrando sempre que se o cuidador não cuidar de si mesmo, não será capaz de cuidar de mais ninguém.
Com a saúde e bem-estar em jogo, é importante reservar tempo para si mesmo, mas nem sempre o tempo permite. Por isso, cada dica de autocuidado é uma oportunidade para encetar ações simples para ajudar o cuidador a ser o seu melhor cuidador.
Estas dicas devem ser consideradas como sugestões ou como um menu, em vez de mais uma tarefa na lista de afazeres. O cuidador deve escolher as ideias que lhe parecem agradáveis ou viáveis e torná-las suas.
Com o tempo, poderá adicionar mais coisas que fazem bem. A melhor maneira de criar um novo hábito é adicionando coisas aos poucos.
Não há necessidade de o cuidador se sobrecarregar com todas estas novas práticas, basta dar pequenos passos e saber que, com o tempo, eles vão se somar e tornar-se numa rotina.
Estas são as dicas:
Manter um diário
Esta atividade pode começar hoje mesmo. Descrever os medos e as esperanças, a realidade de cada dia num diário, pode ser libertador. O cuidador não deve ter medo de escrever sobre as perdas, grandes ou pequenas.
Deve continuar a escrever no seu diário e a registar as pequenas vitórias, voltar atrás e rever os meses e anos anteriores. Observar quais são os objetivos pessoais, físicos e emocionais e os sucessos que o cuidador e a pessoa cuidada alcançaram
Criar uma rede de comunicação simples
Pensar numa estratégia em que há um comunicador designado. Escolher um amigo ou familiar que faça todas as chamadas telefónicas e conte todas as novidades quando houver chamadas a fazer e novidades a contar.
O cuidador pode querer guardar para si mesmo as grandes vitórias e notícias positivas, mas ficará exausto se estiver constantemente ao telefone a contar os detalhes dos últimos dias ou semanas repetidamente.
Deixar os amigos ajudar
Quando alguém perguntar: «Posso fazer alguma coisa por si?», dar algo a essa pessoa para fazer. Deixar os amigos ou familiares fazerem um recado ou ficar com a pessoa cuidada enquanto o cuidador faz uma pausa e sai sozinho, pode ser uma grande ajuda.
Visitar as pessoas mais próximas
O cuidador deve ser uma pessoa, o mais possível, como as outras que têm amigos e interesses e que têm também capacidade para pensar em outras coisas além das responsabilidades de cuidar de alguém.
Além disso, não deve ter de reinventar a sua vida quando as suas responsabilidades de cuidar diminuem.
Por isso, não deverá descurar as relações próximas de amizade ou com os familiares e fazer visitas ou receber visitas consoante as vontades e circunstâncias de todos os envolvidos.
Continuar envolvido na vida pessoal das pessoas mais próximas
O cuidador não deve descurar as relações mais íntimas, ou seja, ter cuidado para que a pessoa amada não deixe de ser uma pessoa amada, um membro da família, um amigo, e passe a ser apenas mais uma pessoa a cuidar.
O cuidador não deve deixar que as relações que tinha antes de iniciar a prestação de cuidados se percam.
Falar sobre as coisas
Existem inúmeros medos e ansiedades associados a qualquer doença ou enfermidade, que podem e acabam por destruir uma pessoa.
Falar com os amigos e com os familiares sobre os sentimentos perante a impotência da doença ou da morte é muito importante. A pior coisa que o cuidador pode fazer é construir uma barreira à sua volta para proteger os outros.
Manter a chama acesa
Os casais que enfrentam situações de prestação de cuidados tendem a esquecer-se de cultivar a relação que os uniu até este momento. Essas relações também precisam de atenção.
Por outro lado, manter também o entusiasmo pela vida e desenvolver a aceitação, bem como a noção de que tudo passa, pode ser muito benéfico.
Incluir os mais próximos nas mudanças
Com o passar do tempo, todos nós mudamos de pequenas e grandes maneiras.
Fazer um novo amigo, descobrir um interesse por um novo género de livros ou música, encontrar uma nova receita ou um ótimo lugar para comer, o cuidador pode partilhar tudo isso com as pessoas que estão mais próximas.
Apresentar os novos amigos, convidá-los para visitar, se a pessoa cuidada não puder sair de casa facilmente e se não houver indicação em contrário. Passar tempo a ler livros em voz alta ou ouvir música em conjunto são todas estratégias que ajudam a melhorar o humor e a relaxar.
Continuar a definir objetivos
Antes de o cuidador pensar nos cuidados deve definir objetivos pessoais. A vida não acaba porque se tornou cuidador. Quando as tarefas de cuidador terminam, o cuidador não deve voltar à sua vida, deve continuar com a sua vida.
Explorar a Internet
O cuidador pode explorar diferentes websites de interesse, fazer novos amigos e aprender coisas novas. O cuidador pode fazer da Internet o seu refúgio, mesmo quando não puder sair de casa.
Kit de primeiros socorros emocionais
Os cuidadores apoiam a saúde e a recuperação de pessoas que vivem com desafios de saúde. Para cuidar eficazmente dos outros, é importante cuidar da sua saúde mental e bem-estar, mesmo que nem sempre seja fácil fazê-lo.
O autocuidado pode ajudar o cuidador a manter-se focado e equilibrado. No entanto, este processo é diferente para cada pessoa e não existe uma maneira certa para o fazer.
Estas são algumas sugestões para ajudar a lidar com os desafios emocionais:
- Reconhecer como se sente como cuidador. É normal sentir uma variedade de sentimentos complexos, como culpa, raiva, tristeza, amor e compaixão
- Conversar com um amigo ou familiar para obter ajuda e apoio
- Escolher atividades de autocuidado que sejam significativas para si próprio e que o façam sentir-se melhor
- Manter as coisas simples para que possam ser encaixadas na rotina diária
- Encontrar alívio nas tarefas mais simples
- Sorrir
- Ligar para alguém que faça o cuidador sentir-se bem, especialmente se não fala com essa pessoa há muito tempo
- Comer algo delicioso, mas estar ciente das limitações alimentares
- Tomar um banho de espuma
- Ler um romance ou reler um poema motivador
- Receber uma massagem. Ajuda a relaxar e cuidar de toda a tensão acumulada todos os dias
- Comprar flores para si mesmo. A visão e o cheiro de algo bonito e perfumado pode dar um motivo para sorrir
- Dar um passeio a um ritmo que permita sentir a energia do vento a soprar
- Ir às compras e comprar algo só para si, algo que faça o cuidador sentir-se especial
Conclusão
Cuidar de si mesmo é uma das coisas mais importantes que o cuidador pode fazer. Cuidar de alguém não é fácil, nem para o cuidador, nem para a pessoa que recebe os cuidados.
Exige sacrifícios e ajustes de todos. Muitas vezes, os cuidadores informais precisam conciliar o trabalho e a vida familiar para ter tempo para essas responsabilidades.
Cuidar de um idoso também pode ser gratificante. Muitas pessoas acham que cuidar de alguém proporciona uma sensação de realização e gostam de se sentir úteis e necessárias.
Mas as exigências contínuas de cuidar de outra pessoa podem desgastar até mesmo a pessoa mais resiliente.
É por isso que é tão importante praticar o autocuidado. É importante também encontrar maneiras de cuidar do seu próprio bem-estar para que o cuidador possa estar presente para os outros.
Ser prestador de cuidados é uma função significativa, mas não precisa ser à custa do bem-estar do cuidador. Equilibrar as responsabilidades com o autocuidado não só fará com que o cuidador se sinta melhor, como também o ajudará a prestar melhores cuidados.
Com pequenos passos, pedir apoio e cuidar de si próprio é tão importante para o cuidador quanto é cuidar de uma pessoa.
O cuidador deve reservar tempo para si mesmo e tentar fazer disso um esforço consciente todos os dias. Pode ser algo tão simples como dar um passeio de dez minutos, mergulhar na leitura do último best-seller ou cuidar do jardim.
Cuidar de si mesmo é essencial para qualquer tipo de cuidador, informal ou formal. É fundamental para manter a própria saúde e bem-estar. Quando o cuidador se sente melhor, pode também cuidar melhor de qualquer outra pessoa.
Juntos Cuidamos Melhor!
Referências:
- Today´s Caregiver
- National Institute On Aging

